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O dia de ser feliz é hoje!

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Por Marcio Samia

No dia 20 de março, apesar de não ser amplamente divulgado, comemorou-se o dia mundial da felicidade. Como tenho escrito por aqui sobre vida criativa achei que poderia ser interessante abordar esse tema, especialmente porque no mesmo dia mundial da felicidade também se comemora um outro dia muito curioso: o dia nacional do contador de histórias.

Por esse motivo, peço licença para reproduzir aqui uma das histórias que meu avô contava, e que ouvi quando ainda era criança, lá em Minas Gerais na pequena cidade de Delfim Moreira, um vale encantado e habitado por lendas e causos que povoavam a imaginação das crianças daquele pedacinho esquecido de terra.

Ele contava que muito antigamente, lá quando Deus criou o homem, Ele o fez completamente à sua imagem e semelhança. Mas quando havia quase concluído sua tarefa, percebeu que tendo um corpo, força e inteligência semelhantes ao Seu, estaria na realidade criando deuses e, portanto, seria necessário retirar algo dessa divina criação, para que a obra se diferenciasse do Criador.

Resolveu então tirar a felicidade daquela criatura, mas restava agora decidir onde esconder aquele dom tão precioso, já que com a força e a vontade que deu ao homem, este poderia escalar até a mais alta das montanhas. Com a inteligência poderia criar alguma máquina que navegasse até os mais longínquos oceanos e até mesmo esconder em outro planeta seria inútil, pois a curiosidade e a ambição faria com certeza com que os seres humanos buscassem incessantemente a felicidade, onde quer que ela se encontrasse.

Após muito pensar, Deus sabiamente decidiu colocar a felicidade no único lugar onde o ser humano demoraria a encontrar – isso se encontrasse.

Buscando pelo dom em todos os lugares existentes (e até mesmo nos objetos), certamente demoraria muito até pensar que o único lugar onde de fato a felicidade poderia estar era dentro de si mesmo.

E desde então tem sido assim: o homem passa a vida toda buscando a felicidade em vários lugares / coisas / pessoas e se esquece de olhar para dentro de si, onde Deus guardou o dom de ser feliz.

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Essa pequena história (e muitas outras que ouvíamos sentados ao lado do fogão a lenha ardendo em brasas), servia muito para que nossas noites sem energia elétrica ganhassem um pouco de iluminação. Assim iríamos deitar para dormir pensando em como era mais importante descobrir a felicidade em pequenas coisas, como subir num pé de jabuticaba ou na graça que tinha a risada sem dentes do vizinho ao lado, do que na frustração incessante de querer o brinquedo mais moderno que existisse no momento, já que não teríamos condições de adquiri-lo.

O tempo passou e a vida na cidade grande de São Paulo me fez entender o que é que meu avô estava preocupado em nos explicar naquelas palavras tão simples. Muitas vezes a vida e nosso meio nos cobram tanto que para “parecer” que estamos nos dando bem nos preocupamos demais com o que temos, mas aí acabamos deixando de lado o que somos. E junto com isso deixamos de nos alegrar com a incrível imagem de um pôr do sol na estrada porque estamos preocupados demais com outras coisas que temos que fazer depois, e aí não percebemos que depois pode ser tarde demais para um abraço, um beijo, um carinho… que o único dia que temos é hoje. E o único momento de ser feliz, é agora!

Edição: Enrique Shiguematu